Aviso:
Este post é contra indicado às pessoas que não sabem lidar com fortes emoções e
não gostam de ler descrições de longo percurso. (azar o seu
)
Antes
de tudo, pedimos desculpas pela demora em atualizar aqui, no Peru quase não
tínhamos tempo e o cansaço nos convencia em deixar para depois e aqui em
Manaus, bem estamos de volta à realidade, estamos resolvendo coisas do dia a dia e
descansando bastante (além de curtir um pouquinho as noites é claro), antes de viajar de novo.
Na terça-feira (25/03), começamos o dia na pilha, eram 07h e já tínhamos
tomado nosso desayuno, (a Yve acabou com todo o remédio para enjoo que
tínhamos) e estávamos arrumando as últimas coisas na mochila. Como ficaríamos
apenas dois dias fora, usamos apenas a mochila do Marcos, a da Yvee deixamos
guardada no hostel com as coisas que não utilizaríamos, o Yuri não nos cobrou
nada para guardar a mochila.
Com tudo pronto ficamos no aguardo da van que iria nos pegar no próprio hostel, já tínhamos pago a mesma no dia anterior para o próprio Yuri (eles tem um tipo de convênio), o preço é de 50 soles, mas conseguimos um descontinho e ficou em 90 soles nós dois. A van passou por volta das 08h e nós fomos os primeiros a entrar, além do motorista e o moço que ficava abrindo a
porta e vendo os boletos, ambos gentis, já querendo que comprássemos com eles
os bilhetes da volta (não compramos). No caminho ela foi pegando outros passageiros e paramos numa espécie de garagem onde estavam outras
vans, lá começou o deslocamento de passageiros, desce tantos para outra e sobe tantos para essa, nessa confusão ficamos nós dois do lado de fora e vimos as vans partindo, perguntamos "que se passa" e a resposta que ouvimos era tínhamos contratado o serviço que devia dinheiro
para as outras e por isso não poderiam nos levar, mesmo apresentando os boletos
pagos, isso doeu nos nervos, começamos a discutir com eles (Marcos com seu portunhol e a Yvee em inglês), a discussão foi tanta que não dá para escrever aqui. No final não botaram a gente em nenhuma van, então pegamos um táxi e voltamos para o hostel falar com o Yuri, ele não estava mas seu funcionário na mesma hora pegou o telefone entrou no nosso táxi e fomos até a Plaza de Armas encontrar com o Gustavo (um dos sócios da agência e com quem o Yuri tinha negociado a van), o mesmo pediu mil desculpas e iria resolver tudo, o funcionário também se desculpou e acabou pagando nosso táxi. Entramos no carro do Gustavo e ele nos levou até Chinchero (uns 30km de Cusco, 40 min) onde a Van nos esperava, no caminho ele foi explicando que era uma rixa entre os sócios e blábláblá, não queríamos ouvir muito, queríamos mesmo era chegar logo, estávamos p#t@$. Chegamos e advinha? era a mesma van que nos pegou no hostel e com dois lugares sobrando, muita sacanagem né. Por
isso, se forem fazer o mesmo, perguntem tudo, nome do motorista, da empresa,
anotem a placa, tudo o que for possível, porque eles meio que tratam os
passageiros como carga e isso não é nada agradável.
Bom, depois dessa tensão toda, nos sentamos (em lugares separados o que foi muito triste, pois tínhamos ótimos
lugares) eram
quase 10:30h e finalmente estávamos à caminho, então fomos curtir o visual da viagem, que é de tirar o fôlego (Dica 1: se você é daqueles que enjoam com viagens longa leve remédio, nós levamos Dramim e funcionou bem para a Yve, pois o percurso é todo em zigue-zague. Dica 2: sente do lado do motorista onde tem as melhores imagens, o lado do passageiro é só parede. Demos sorte pois o lugares vagos eram desse lado e o Marcos ainda foi no fundão
).
Fizemos uma parada em Urubamba para esticar as pernas, ir no banheiro, comprar alguma coisa etc e depois passamos por Ollantaytambo, uma cidade incrível e onde sai o trem para Aguas Calientes (muitos turistas fazem esse trajeto a passagem custa 80 US$).
| Urubamba |
| Parada para Banheiro |
| Mesma parada |
| Nativos |
| Que esporte é esse? |
| Visual |
Continuamos ... no caminho da região de Abra de Malaga (onde tem as montanhas com picos nevados) o nevoeiro tava forte, uma pena, então como não se enxergava nada demos um tempo nas fotos e cochilamos um pouco, ao acordar as nuvens já estavam sumindo e se percebe bem que estamos em outra região, pois a paisagem muda drasticamente, as montanhas agora estão cheias de vegetação grandes, árvores enormes, já estamos no santuário, parece coisa de filme. Passamos por Santa Maria e paramos
por volta de 14:30h para almoçar em Santa Teresa (última cidade antes do nosso destino), ficamos uns 45min.
Partimos para a hidrelétrica, uma viagem de 45 minutos. Antes de
entramos nela, fizemos uma espécie de “check in” em um posto, onde pedem um registro do seu passaporte/identidade.
Finalmente
na hidrelétrica, muita gente chegou conosco e mais vans continuavam chegando.
Alguns grupos se direcionavam ao trem, outros iam com o guia pela trilha, e
outros como nós: sem guia e seguindo a trilha por conta própria
. A primeira parte da trilha e
logo uma subida que parece ser treinamento para Macchu Picchu (estamos à 2.100MSL). Depois fica
tranquila, tudo plano. É uma caminhada de 9km e nela conversamos com todo
tipo de gente, colombiano, alemão, americano, mexicano... Foi bem legal! Mas incrível mesmo é a paisagem à nossa volta, Rio Urubamba do nosso lado e montanhas, vegetação e pequenas corredeiras para tudo quanto é lado, simplesmente uma caminhada mágica.
| Primeira subida |
| Depois fica assim |
Quase anoitecendo,
vimos uma placa que dizia Aguas Calientes à 2 km, ficamos mais empolgados pois o
cansaço já estava chegando. Depois vimos uma placa indicando que a Ponte Ruínas (entrada para Macchu Picchu), estava por ali. Devíamos ter prestado
melhor atenção e entrado a direita por uma trilha, mas como estava
escuro, continuamos seguindo pelos trilhos. Tivemos que passar
por dois túneis bem tenebrosos, totalmente escuro, apenas iluminados por nossa lanterna.
Até alguns andantes “pegaram carona” na nossa luz. Antes dos túneis tem até uma
placa que dizia que era proibido pedestres passarem por eles, mas não vimos
outra alternativa e aquela hora não passava mas trem.
Quando
pensávamos que não íamos chegar nunca, de repente "tcharam" Aguas Calientes. Uma cidade
totalmente turística, seus bares e restaurantes bem atraentes e ... caros, mas bem caros. Nos demos ao luxo de sentar em um bar onde
pagamos 20 soles por uma cerveja de 1,1L, fora o serviço. Depois disso nos informamos com um guarda e
descobrimos que a área do camping era um pouco afastada da cidade, cerca de
20 minutos andando e ficava bem perto da Ponte Ruínas, aquela que vimos a
placa. Mas foi até melhor termos ido à cidade, pois
da outra forma não chegaríamos a conhecê-la.
| Não resistimos |
Mais
uma caminhada tenebrosa, pois o caminho não tinha iluminação, estava chuviscando,
ao lado esquerdo só ouvimos o barulho do Rio e do outro lado e no horizonte só
vínhamos montanhas. Caminhamos até a entrada de Macchu Picchu, onde um dos
seguranças nos avisou que tínhamos passado da área de acampamento e ele decidiu
nos levar até lá. Entramos numa área onde tem o tamanho para dois campos de
futebol, mas não tinha ninguém lá acampando, nenhum responsável pelo camping e
não tinha luz elétrica. O segurança avisou que se pagava 15 soles por barraca e
que alguém pela manhã iria nos cobrar. Ele esperou montarmos a barraca, disse
que podíamos fazer fogueira se quiséssemos e partiu.
Ainda
bem que fomos preparados, não queríamos voltar para a cidade e resolvermos
jantar as coisas do rancho que tínhamos trazido. Cardápio do dia: Miojo com
sardinha! Não sei se era a fome, mas estava bom de verdade. Tentamos fazer uma
fogueira, mas com os galhos molhados por causa da chuva, não tivemos sucesso.
Então usamos o fogareiro a álcool que levamos. Aos poucos os cachorros do
camping foram aparecendo para nos fazer companhia, teve até um engraçadinho que
entrou na barraca. Fomos explorar a área e descobrimos onde ficavam os
banheiros, limpamos as coisas que tínhamos usado para a janta e por volta
das 10h nos deitamos. No outro dia um sonho seria realizado.
Dica: o camping tem uma estrutura muito boa com tendas, banheiros, áreas de limpeza e energia (descobrimos no outro dia), mas não tem cozinha e como fica um pouco distante da cidade, leve seu kit cozinha e comidas rápidas, frutas e biscoitos são aconselháveis.
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