"A vida é o que fazemos dela. As viagens são os viajantes. O que vemos não é o que vemos, senão o que somos." (Fernando Pessoa)

terça-feira, 15 de abril de 2014

Machu Picchu - Realizando um Sonho

   Depois de descansar bem da trilha na noite anterior, às 4:30 já estávamos de pé, tudo escuro ainda, fizemos nosso desayuno que teve sopa, frutas e bastante chá da coca (se você for subir a pé como nós, recomendamos levar e tomar bastante o chá. Acredite faz muita diferença). Fechamos a barraca e começamos a subida para a realização de um dos nossos sonhos. O caminho é uma subida muito punk, escadas e mais escadas de quase 90º, muitas pessoas começaram a aparecer, ultrapassávamos algumas e éramos ultrapassados por outros, todos se cumprimentam mas cada um vai no seu ritmo. 1h e 30min depois chegamos na entrada e o coração batia cada vez mais forte, 10% pelo cansaço e 90% pela expectativa da primeira vista que logo aconteceu. A sensação é indescritível.

Começando a subida
Dia clareando
É só seguir as setas sem medo
Entrada
Primeira Vista
Primeiro Selfie em MP
    Como as nuvens ainda encobriam boa parte da paisagem, resolvemos ir direto para a Porta do Sol (Intipunku) que fica para o outro lado (mais ou menos 1km). É considerada a entrada oficial para MP e é por onde chegam os caminhantes da Trilha Inca e onde tem o primeiro vislumbre da Cidade Sagrada. Eles tentam chegar com a alvorada, pois pouco a pouco a cidadela de pedra vai ficando dourada com os primeiros raios de sol. Um espetáculo diário. Mais ainda , era na Puerta de Sol que os incas entravam neste santuário, um visual impressionante de toda a cadeia de montanhas e do vale do rio Urubamba.
   A ida para Porta do Sol logo no iníco teve seus dois lados, o bom que ficamos só nós dois e o ruim que não conseguimos ver todo o horizonte pois as nuvens teimavam em não partir.

Chega de escadas rsrs
Indo
Porta do Sol
 

Voltando
 

    Na volta passamos de novo pela cidade (as nuvens começaram a se dispersar), resolvemos ir para a Ponte Inca. O caminho é bem mais tranquilo e rápido e também promete visuais de tirar o fôlego.
   Durante o percurso, avista-se a magnitude da região, das montanhas, atravessando o vale do rio. É um trajeto realmente imperdível, que muito fácil, recompensa seu visitante com vistas magníficas. No final da trilha, chegamos finalmente na Ponte Inca. A ponte em si é um pouco decepcionante, mas o visual da região no entorno é de deixar qualquer um boquiaberto.

A famosa Ponte Inca fica localizada ao longo de uma estreita trilha montanhosa que, em alguns pontos, transforma-se em um penhasco. Os construtores incas, com muita inteligência, deixaram um espaço na parte de apoio da trilha, que eles poderiam construir com dois troncos. Conforme fosse necessário, os troncos poderiam ser retirados para que intrusos não conseguissem passar.

  O que mais nos divertiu por ali foi uma pedra que avança para o vale e forma uma espécie de mirante.
 
 
 


     Voltamos e fomos vislumbrar e entrar na cidade que ficou escondida durante muito tempo, devido à sua localização, escondida entre as montanhas. Tanto que os colonizadores espanhóis nunca chegaram ali. Sua descoberta aconteceu em 1911. Cabe lembrar que algumas partes são originais (apenas 35%) e outras reconstruídas. O que determina o que é original ou não são os encaixes entre as pedras. Tudo o que é original é composto de pedras maiores e os espaços entre as rochas é mínimo, ou seja, a precisão de encaixe entre as pedras é perfeita.
   Machu Picchu é formada de duas áreas principais, a zona agrícola, cuja principal imagem são os terraços de cultivo e armazenagem de alimentos, que de longe parecem grandes escadarias, quando chegamos perto, percebemos que os degraus são maiores do que a altura de um ser humano. A outra zona é a urbana, onde tem os templos, as praças e as casas de pessoas importantes da cidade inca.
   Considerado Patrimônio Mundial da UNESCO, o que garante a sua preservação (um exemplo é o limite de visitantes por dia). Até se especula que Machu Picchu será fechada à visitação, já que muitos dos turistas não respeitam a cidade, pisando nas rochas antigas e transitando em grande quantidade. Portanto, é bom conhecer o quanto antes.
 
 
 



 





 


 

    Depois de termos conhecido quase tudo, e olha que demora, às 14h decidimos ir embora e começar a descida. Nos despedimos com grande pesar, porém nossos corpos estavam desgastados demais. Chegamos no camping, tomamos banho e comemoramos com um bom vinho e tira gosto com ovos de codorna e salgadinhos antes de desfrutar o local que estávamos.








   A noite fizemos uma ótima janta que teve feijoada, macarrão e carne. Dormimos cedo e na manhã seguinte fizemos nosso percurso de volta (do mesmo jeito da vinda). Era nosso Adiós à Machu Picchu.


segunda-feira, 7 de abril de 2014

Aventurezas Nua e Crua - Começando o percurso para MP



    Aviso: Este post é contra indicado às pessoas que não sabem lidar com fortes emoções e não gostam de ler descrições de longo percurso. (azar o seu :P)

   Antes de tudo, pedimos desculpas pela demora em atualizar aqui, no Peru quase não tínhamos tempo e o cansaço nos convencia em deixar para depois e aqui em Manaus, bem estamos de volta à realidade, estamos resolvendo coisas do dia a dia e descansando bastante (além de curtir um pouquinho as noites é claro), antes de viajar de novo.

   Na terça-feira (25/03), começamos o dia na pilha, eram 07h e já tínhamos tomado nosso desayuno, (a Yve acabou com todo o remédio para enjoo que tínhamos) e estávamos arrumando as últimas coisas na mochila. Como ficaríamos apenas dois dias fora, usamos apenas a mochila do Marcos, a da Yvee deixamos guardada no hostel com as coisas que não utilizaríamos, o Yuri não nos cobrou nada para guardar a mochila.
   Com tudo pronto ficamos no aguardo da van que iria nos pegar no próprio hostel, já tínhamos pago a mesma no dia anterior para o próprio Yuri (eles tem um tipo de convênio), o preço é de 50 soles, mas conseguimos um descontinho e ficou em 90 soles nós dois. A van passou por volta das 08h e nós fomos os primeiros a entrar, além do motorista e o moço que ficava abrindo a porta e vendo os boletos, ambos gentis, já querendo que comprássemos com eles os bilhetes da volta (não compramos). No caminho ela foi pegando outros passageiros e paramos numa espécie de garagem onde estavam outras vans, lá começou o deslocamento de passageiros, desce tantos para outra e sobe tantos para essa, nessa confusão ficamos nós dois do lado de fora e vimos as vans partindo, perguntamos "que se passa" e a resposta que ouvimos era tínhamos contratado o serviço que devia dinheiro para as outras e por isso não poderiam nos levar, mesmo apresentando os boletos pagos, isso doeu nos nervos, começamos a discutir com eles (Marcos com seu portunhol e a Yvee em inglês), a discussão foi tanta que não dá para escrever aqui. No final não botaram a gente em nenhuma van, então pegamos um táxi e voltamos para o hostel falar com o Yuri, ele não estava mas seu funcionário na mesma hora pegou o telefone entrou no nosso táxi e fomos até a Plaza de Armas encontrar com o Gustavo (um dos sócios da agência e com quem o Yuri tinha negociado a van), o mesmo pediu mil desculpas e iria resolver tudo, o funcionário também se desculpou e acabou pagando nosso táxi. Entramos no carro do Gustavo e ele nos levou até Chinchero (uns 30km de Cusco, 40 min) onde a Van nos esperava, no caminho ele foi explicando que era uma rixa entre os sócios e blábláblá, não queríamos ouvir muito, queríamos mesmo era chegar logo, estávamos p#t@$. Chegamos e advinha? era a mesma van que nos pegou no hostel e com dois lugares sobrando, muita sacanagem né. Por isso, se forem fazer o mesmo, perguntem tudo, nome do motorista, da empresa, anotem a placa, tudo o que for possível, porque eles meio que tratam os passageiros como carga e isso não é nada agradável.
   Bom, depois dessa tensão toda, nos sentamos (em lugares separados o que foi muito triste, pois tínhamos ótimos lugares) eram quase 10:30h e finalmente estávamos à caminho, então fomos curtir o visual da viagem, que é de tirar o fôlego (Dica 1: se você é daqueles que enjoam com viagens longa leve remédio, nós levamos Dramim e funcionou bem para a Yve, pois o percurso é todo em zigue-zague. Dica 2: sente do lado do motorista onde tem as melhores imagens, o lado do passageiro é só parede. Demos sorte pois o lugares vagos eram desse lado e o Marcos ainda foi no fundão :P).




   Fizemos uma parada em Urubamba para esticar as pernas, ir no banheiro, comprar alguma coisa etc e depois passamos por Ollantaytambo, uma cidade incrível e onde sai o trem para Aguas Calientes (muitos turistas fazem esse trajeto a passagem custa 80 US$).

Urubamba
Parada para Banheiro
Mesma parada
Nativos
Que esporte é esse?
Visual
 

   Continuamos ... no caminho da região de Abra de Malaga (onde tem as montanhas com picos nevados) o nevoeiro tava forte, uma pena, então como não se enxergava nada demos um tempo nas fotos e cochilamos um pouco, ao acordar as nuvens já estavam sumindo e se percebe bem que estamos em outra região, pois a paisagem muda drasticamente, as montanhas agora estão cheias de vegetação grandes, árvores enormes, já estamos no santuário, parece coisa de filme. Passamos por Santa Maria e paramos por volta de 14:30h para almoçar em Santa Teresa (última cidade antes do nosso destino), ficamos uns 45min.






   Partimos para a hidrelétrica, uma viagem de 45 minutos. Antes de entramos nela, fizemos uma espécie de “check in” em um posto, onde pedem  um registro do seu passaporte/identidade.


 

   Finalmente na hidrelétrica, muita gente chegou conosco e mais vans continuavam chegando. Alguns grupos se direcionavam ao trem, outros iam com o guia pela trilha, e outros como nós: sem guia e seguindo a trilha por conta própria :P. A primeira parte da trilha e logo uma subida que parece ser treinamento para Macchu Picchu (estamos à 2.100MSL). Depois fica tranquila, tudo plano. É uma caminhada de 9km e nela conversamos com todo tipo de gente, colombiano, alemão, americano, mexicano... Foi bem legal! Mas incrível mesmo é a paisagem à nossa volta, Rio Urubamba do nosso lado e montanhas, vegetação e pequenas corredeiras para tudo quanto é lado, simplesmente uma caminhada mágica.

Primeira subida
Depois fica assim


 







   Quase anoitecendo, vimos uma placa que dizia Aguas Calientes à 2 km, ficamos mais empolgados pois o cansaço já estava chegando. Depois vimos uma placa indicando que a Ponte Ruínas (entrada para Macchu Picchu), estava por ali. Devíamos ter prestado melhor atenção e entrado a direita por uma trilha, mas como estava escuro, continuamos seguindo pelos trilhos. Tivemos que passar por dois túneis bem tenebrosos, totalmente escuro, apenas iluminados por nossa lanterna. Até alguns andantes “pegaram carona” na nossa luz. Antes dos túneis tem até uma placa que dizia que era proibido pedestres passarem por eles, mas não vimos outra alternativa e aquela hora não passava mas trem.





   Quando pensávamos que não íamos chegar nunca, de repente "tcharam" Aguas Calientes. Uma cidade totalmente turística, seus bares e restaurantes bem atraentes e ... caros, mas bem caros.  Nos demos ao luxo de sentar em um bar onde pagamos 20 soles por uma cerveja de 1,1L, fora o serviço.  Depois disso nos informamos com um guarda e descobrimos que a área do camping era um pouco afastada da cidade, cerca de 20 minutos andando e ficava bem perto da Ponte Ruínas, aquela que vimos a placa. Mas foi até melhor termos ido à cidade, pois da outra forma não chegaríamos a conhecê-la.


Não resistimos :P

   Mais uma caminhada tenebrosa, pois o caminho não tinha iluminação, estava chuviscando, ao lado esquerdo só ouvimos o barulho do Rio e do outro lado e no horizonte só vínhamos montanhas. Caminhamos até a entrada de Macchu Picchu, onde um dos seguranças nos avisou que tínhamos passado da área de acampamento e ele decidiu nos levar até lá. Entramos numa área onde tem o tamanho para dois campos de futebol, mas não tinha ninguém lá acampando, nenhum responsável pelo camping e não tinha luz elétrica. O segurança avisou que se pagava 15 soles por barraca e que alguém pela manhã iria nos cobrar. Ele esperou montarmos a barraca, disse que podíamos fazer fogueira se quiséssemos e partiu.

   Ainda bem que fomos preparados, não queríamos voltar para a cidade e resolvermos jantar as coisas do rancho que tínhamos trazido. Cardápio do dia: Miojo com sardinha! Não sei se era a fome, mas estava bom de verdade. Tentamos fazer uma fogueira, mas com os galhos molhados por causa da chuva, não tivemos sucesso. Então usamos o fogareiro a álcool que levamos. Aos poucos os cachorros do camping foram aparecendo para nos fazer companhia, teve até um engraçadinho que entrou na barraca. Fomos explorar a área e descobrimos onde ficavam os banheiros, limpamos as coisas que tínhamos usado para a janta e por volta das 10h nos deitamos. No outro dia um sonho seria realizado.
   Dica: o camping tem uma estrutura muito boa com tendas, banheiros, áreas de limpeza e energia (descobrimos no outro dia), mas não tem cozinha e como fica um pouco distante da cidade, leve seu kit cozinha e comidas rápidas, frutas e biscoitos são aconselháveis.